O Simpósio Internacional de Geografia do Conhecimento e da Inovação, em sua terceira edição, confirma seu propósito de buscar contribuir para a promoção e sistematização no país do debate sobre a relação entre inovação e território numa perspectiva inter e multidisciplinar.

A Geografia da Inovação tem ganhado destaque no debate acadêmico e político nos últimos anos. Isso se deve à crescente discussão em torno de temas como o papel da proximidade geográfica no intercâmbio e compartilhamento do conhecimento; a importância do ensino superior na promoção do conhecimento (científico e tradicional) como fonte fundamental para o desenvolvimento de regiões por seus próprios atores; a relevância de conceitos como “sistemas territoriais de inovação” e “ecossistemas de inovação” como instrumentos para a compreensão da dimensão espacial da inovação; os efeitos da inovação no desenvolvimento de regiões agrícolas e industriais; na relação do Estado, dos conflitos de interesse e das estruturas de poder envolvidas nas políticas de inovação e nos diferentes usos do território. Observa-se também o interesse pela temática na medida em que os investimentos públicos em CT&I, necessários à concorrência empresarial baseada em inovação tecnológica, não podem prescindir de uma localização eficiente que permita aos agentes produzir, difundir e absorver novos conhecimentos.

Os dois primeiros SIGCI, ambos realizados em Recife, por iniciativa do Grupo de Pesquisa em Inovação, Tecnologia e Território (GRITT) da UFPE, buscaram promover um espaço de discussão em torno de tais temáticas na comunidade acadêmica brasileira, destacando a dimensão espacial da inovação numa perspectiva que articula diferentes campos disciplinares. O primeiro, em 2011, concebido como evento para dar partida ao debate no país, teve uma abordagem mais ampla voltada para estimular pesquisadores ainda não envolvidos com a temática, especialmente no campo disciplinar da Geografia, a dialogar com especialistas em torno de condicionantes políticos, econômicos e sociais que envolvem a relação entre inovação e território. O segundo, em 2017, voltou-se para a perspectiva da chamada inovação inclusiva, buscando problematizar as especificidades do processo de inovação em espaços de desenvolvimento retardatário e desigual, bem como os benefícios sociais dos investimentos em C&T&I. Em ambas as edições, estimulou-se a produção de conhecimento por meio de chamada de trabalhos, e foram feitas visitas a experiências concretas associadas aos temas abordados de modo a suscitar diálogo entre os participantes.

O III SIGCI buscou trazer para o Estado de São Paulo essas discussões em torno da Geografia da Inovação. Nessa edição, a ênfase será a relação entre cidades e inovação, considerada a partir de múltiplas abordagens. Nesta perspectiva, a terceira edição do SIGCI estimula o debate crítico sobre temáticas como: mobilidade urbana, TICs e cidades inteligentes; efeitos de aglomeração e da proximidade geográfica; o papel das cidades nas desigualdades territoriais de competências e de ocupações cognitivas na era da globalização; economia do conhecimento, transformação digital e trabalho urbano e rural em contextos periféricos; entraves do território historicamente produzido ao desenvolvimento de competências inovativas (path dependence) no campo e na cidade; experiências de inovação inclusiva e de responsabilidade ambiental em cidades; cidades, produção e consumo de energias renováveis; potencialidades inovativas em pequenas e médias cidades; metropolização, digitalização e desindustrialização na periferia do capitalismo globalizado; justiça social, cidade e inovação; interação universidade-empresa para o desenvolvimento da metrópole inclusiva; sistemas de inovação, poder e interesses imobiliários; estratégias tecnológicas empresariais e conflitos urbanos; relação campo-cidade na era digital; economia criativa e desenvolvimento urbano; evidências de desigualdades cognitivas e tecnológicas e políticas urbanas e regionais; indicadores e métricas de urbanização inteligente e sustentável em contextos periféricos.