É possível estimar a precipitação na América do Sul usando dados paleoclimáticos do testemunho de Gelo do Nevado Illimani (Bolívia)?

Autores

  • Tainã Costa Peres Universidade Federal do Rio Grande
  • Vaneza Barreto Pereira Universidade federal do Rio Grande do Sul
  • Éder Leandro Bayer Maier Universidade Federal do Rio Grande
  • Jeffreson Cardia Simões Universidade federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.20396/sbgfa.v1i2017.2058

Palavras-chave:

Água. Paleoclimatologia. Isótopos

Resumo

O objetivo é verificar a possibilidade de estimar a precipitação pretérita da América do Sul usando dados do testemunho de gelo do Nevado Illimani (Bolívia). A hipótese foi testada com a análise de dependência por regressão linear. Ao comparar as séries da precipitação na América do Sul com as séries da razão isotópica do O¹818O) e da taxa de acumulação de neve constatou-se que os índices de correlação são inferiores a |0.4|. Além disso, as retas de regressão, a soma do erro ao quadro e o R-quadrado evidenciam uma baixa dependência entre as variáveis. Mesmo que os eventos fortes do ENOS dominem as variações máximas e mínimas das variáveis, a falta de sincronia nos demais ciclos originam estimativas da precipitação com erros que podem equivaler as magnitudes das anomalias das precipitações. Por isso, conclui-se que a estimativa da precipitação pretérita usando regressão linear gera resultados não confiáveis. 

Biografia do Autor

Tainã Costa Peres, Universidade Federal do Rio Grande

Bacharelado em Geografia na Universidade Federal do Rio Grande.

Vaneza Barreto Pereira, Universidade federal do Rio Grande do Sul

Professora de Pós Graduação em Geografia da Universidade federal do Rio Grande do Sul

Éder Leandro Bayer Maier, Universidade Federal do Rio Grande

Instituto de Ciências Humanas e da Informação da Universidade Federal do Rio Grande.

Jeffreson Cardia Simões, Universidade federal do Rio Grande do Sul

Departamento de Geografia da Universidade federal do Rio Grande do Sul.

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Publicado

2018-02-04

Edição

Seção

Climatologia em diferentes níveis escalares: mudanças e variabilidades