Evolução da paisagem e dinâmica sedimentar do rio Tejo em Portugal, durante o plistocénico – registo em perfis longitudinais regularizados com substrato rochoso e nos de leito aluvial

Autores

  • Antônio Antunes Martins Universidade de Évora
  • Pedro Manuel Rodrigues Roque Proença e Cunha Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.20396/sbgfa.v1i2017.2066

Palavras-chave:

Terraços fluviais. Perfis longitudinais. Nickpoints. Soerguimento tectónico. Rio Tejo

Resumo

Em Portugal, o Rio Tejo desenvolveu seis níveis terraços fluviais desde a superfície culminante do enchimento sedimentar da Bacia Cenozóica do Baixo Tejo até ao leito actual. A unidade culminante, com idade de 3,7 a 1,8 Ma, e que se encontra a ca. +142 a 262 m acima do leito do Tejo, representa ainda um ancestral Tejo, antes do início da etapa de incisão fluvial, durante a qual se desenvolveram os terraços fluviais, enquadrados por vertentes. O terraço T1 e correspondente lateral superfície de erosão N1 (+84 a 180 m; ca. 1Ma a 900 ka), parecem representar um longo período de estabilidade da rede fluvial (steady state) anterior ao Plistocénico Médio. A formação desta unidade morfoestratigráfica deverá ter correspondência com troços “relíquia” regularizados (graded profiles) com substrato rochoso e concavidade elevada, situados nas cabeceiras dos tributários do Tejo. O terraço T2 (+57 a 150 m), com idade estimada em ca. 600 ka, deverá corresponder à fase final da “Revolução do Plistocénico Médio”. Esta unidade está mal representada, provavelmente por ser relativamente antiga e porque o tempo desenvolvimento foi menor que o do terraço T1. Os terraços mais baixos T3, T4, T5 e T6 testemunham o progressivo estreitamento do vale e formaram-se durante o Plistocénico Médio e Final, períodos caracterizados por oscilações climáticas de grande amplitude e intensificação do soerguimento regional. Na área de estudo, para o último milhão de anos, as taxas de incisão fluvial poderão variar, entre 0,38 e 0,12 m/mil anos, dependendo do soerguimento diferencial entre compartimentos limitados por falhas de importância regional.

Biografia do Autor

Antônio Antunes Martins, Universidade de Évora

Instituto de Ciências da Terra

Departamento de Geociências

Pedro Manuel Rodrigues Roque Proença e Cunha, Universidade de Coimbra

Departamento de Ciências da Terra

MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente

Referências

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Publicado

2018-02-04

Edição

Seção

Geocronologia e Estudos Paleoambientais