O CONFLITO ENTRE MEMÓRIAS DOCENTES E DISCENTES: O DESAFIO-OBSTÁCULO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA

  • Victória Sabbado Menezes
  • Roselane Zordan Costella
Palavras-chave: memória, formação docente, ensino

Resumo

O presente trabalho é um recorte de uma tese de doutorado em andamento e tem como objetivo analisar o conflito existente entre memórias de ensino de professores universitários e acadêmicos da licenciatura em Geografia. Considera-se este um desafio-obstáculo no âmbito da formação de professores de Geografia, visto que o distanciamento entre as memórias destes dois grupos de sujeitos (os primeiros atreladas às memórias de academia e os últimos atrelados às memórias de escola) acarreta em uma formação fragilizada no tocante ao “ensinar a ensinar” e/ou “aprender a ensinar”. Por consequência, geram-se repercussões sobre o ensino de Geografia no espaço escolar, o qual tende a manter-se de forma tradicional e reprodutivista, assentado no saber da tradição pedagógica. A linha de pensamento que conduz as afirmações explicitadas no decorrer do texto parte do princípio de que a formação do/da professor/a é um processo contínuo e permanente, desenvolvido ao longo de uma vida. Logo, abrange a formação universitária e a carreira profissional, mas também as vivências anteriores, com destaque para aquelas realizadas na escola no papel de alunos. Considera-se que as memórias de ensino escolar atuam na construção de representações e modelos do que seja a profissão docente e o ato de ensinar. Mais do que elaborar representações sobre a docência, estas memórias orientam as práticas dos sujeitos. Para analisar como estas memórias, que estão relacionadas a saberes não científicos, influenciam a professoralidade dos sujeitos e como a formação inicial lida com as mesmas, o caminho metodológico adotado consiste em uma revisão bibliográfica voltada ao ensino de Geografia e à formação de professores. Além disso, buscou-se referenciais no campo da pesquisa (auto)biográfica. Tal ação se justifica por tratar o conceito de memória, central à perspectiva (auto)biográfica. Dessa maneira, verifica-se a necessidade de que seja introduzida na licenciatura a preocupação com as histórias de vida e as memórias de escola dos sujeitos, pois estas se refletem no que se compõe enquanto ser docente. Cabe ainda, principalmente aos professores universitários das disciplinas específicas, também recorrerem às suas memórias de academia a fim de problematizá-las. Para tanto, propõe-se que dispositivos formativos como narrativas (auto)biográficas e memoriais de formação sejam inseridos na licenciatura visando provocar a reflexão coletiva entre professores formadores e licenciandos sobre seus percursos formativos com o intento de ressignificar a formação inicial e, consequentemente, o ensino de Geografia nas instituições escolares. 

Publicado
2019-12-05
Edição
Seção
Saberes docentes e a produção do conhecimento da Geografia Escolar