DIVERSIDADE DE GÊNERO: O PODER DO DISCURSO NA EXCLUSÃO SOCIAL

  • Alline Lemos Lira
Palavras-chave: Ensino de Geografia; Gênero; Discurso.

Resumo

Desde o Iluminismo as mulheres foram relegadas ao acesso à ciência. Os pilares da ciência moderna foram calcados na supressão de como diria as geógrafas Janice Monk e Susan Hanson exclusão da “metade da humanidade”. A ciência como produto humano é socialmente produzido e, sendo assim, não há neutralidade na produção do conhecimento. A ciência moderna tal como conhecemos apresenta privilégios de sexo, raça, classe e sexualidade. Pouco se discute sobre temas relacionados ao gênero. Na nossa sociedade ainda existem muitos tabus, quando surge o tema gênero ou sexualidade a discussão toma um sentido maniqueísta. No ambiente escolar isso tem acarretado inúmeras discussões, reflexo de um embate político, apoiado em convicções religiosas. O espaço escolar é constituído por praticas que também são convertidas em aprendizado. Ele se institui segundo o que Santos (1978) propõe como uma estrutura subordinada e subordinante. Acreditamos ser imprescindível a discussão sobre gênero na escola e temos nos professores um potencial colaborador com essa discussão, entretanto, esses profissionais necessitam urgentemente de formação que contemple essa área de estudo. As universidades ainda não estão totalmente abertas para essa temática, pois pesquisas relacionadas ao gênero e sexualidades ainda sofrem opressão no meio acadêmico. Este trabalho tem por objetivo discutir sobre a temática de gênero e relatar uma experiência de docência com 18 alunos no 7o período do curso de Licenciatura em Geografia. É importante lembrar que em breve esses discentes estarão exercendo a profissão, eis que surge a questão: estão eles sendo preparados para o debate dessa temática? Os resultados dessa pesquisa trata-se de contato realizados com os discentes, para sabermos previamente o quê os sujeitos em evidência conheciam sobre o tema, e seus respectivos posicionamentos. Para posteriormente se delinear uma análise mais aprofundada sobre a temática em questão com a turma, nos encontros seguintes houve um maior aprofundamento em que houve discussões sobre a desigualdade de gênero em sala de aula, sobre identidade de gênero, e sobre espaços da Universidade Federal do Tocantins acerca desse debate. É salutar compreendermos que o discurso é um dispositivo de poder e que por meio dele excluímos uma parcela da sociedade. Não somos todos iguais, as nossas diferenças é o que nos singulariza e mantém a diversidade na sociedade. A sociedade produz e se reproduz no espaço geográfico onde ocorrem as manifestações de diversidades culturais, o espaço escolar não foge a essa regra, sendo portando ainda hoje um espaço segregador e excludente das minorias. Cabe aos discentes repesarem as suas atitudes frente a tais preconceitos, nas elaborações das aulas, nas dinâmicas utilizada em classe, nos debates no âmbito escolar dentre outras funções desenvolvida pelo mesmo, pois não conseguiremos mudar essa realidade de uma única vez, mas, aos poucos conseguiremos caminhar para uma sociedade mais justa e igualitária.

Publicado
2019-12-06
Edição
Seção
Multiculturalidade, diferenças e identidades no Ensino de Geografia