LIVRO DIDÁTICO DE GEOGRAFIA: NARRATIVAS, POVOS DO CAMPO E A PRODUÇÃO DE “NÃO-EXISTÊNCIA”

  • Mariana Martins de Meireles
Palavras-chave: Livro didático, Povos do campo, Anos Finais do Ensino Fundamental

Resumo

O texto se insere no âmbito dos estudos sobre livro didático, um artefato discursivo, produtor de narrativas, racionalidades e visões de mundo. O trabalho resulta de uma investigação realizada com obras didáticas de Geografia aprovadas no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD/edital 02/2015), destinadas aos anos finais do Ensino Fundamental. Do ponto de vista metodológico, cabe destacar que em função da dispersão de dados acumulados na referida pesquisa, utilizamos como corpus analítico neste trabalho apenas informações retiradas da coleção Projeto Apoema, cujo o conteúdo nos interpela quanto ao tratamento dado aos povos do campo. Nessa perspectiva, a investigação moveu-se a partir das seguintes questões: De que modo os povos do campo aparecem no livro didático de Geografia? Quais narrativas imperam na abordagem dos conteúdos? Na análise empreendida, a pesquisa revelou a presença hegemônica da narrativa urbana, face ao “apagamento” dos povos dos campos nos livros didáticos de Geografia. Tal “ausência” manifestou-se de forma excludente, destrutiva e silenciosa, produzindo, de certa maneira, a “não-existência” desses povos. Isso posto, consideramos imprescindível a proposição de outras racionalidades e epistemologias nos livros didáticos, desta vez, partindo de narrativas que ampliem as experiências, bem como os quadros de realidade e incluam o mundo da vida dos povos do campo, que de acordo com a história tiveram suas espacialidades e faces negadas.

Publicado
2019-12-06
Edição
Seção
Multiculturalidade, diferenças e identidades no Ensino de Geografia