A CARTOGRAFIA TÁTIL: UM RECURSO DIDÁTICO PARA ENSINAR GEOGRAFIA A DEFICIENTES VISUAIS

  • David de Abreu Alves
Palavras-chave: Ensino de Geografia, Educação Especial, Linguagem Cartográfica

Resumo

O presente texto, partindo de uma abordagem metodológica qualitativa, e com uso da técnica de Grupo Focal (aplicado em uma escola estadual no Município de Campina Grande-PB, no nordeste do Brasil) para coleta de informações, objetiva apresentar reflexões e considerações acerca do uso da Cartografia Tátil (CT) como recurso de ensino para estudantes com Deficiência Visual em salas comuns regulares do Ensino Básico. Dentro desse objetivo principal destacamos como a CT é apresentada em um contexto acadêmico e escolar por meio de considerações conceituais, e em seguida correlacionamos esse campo do conhecimento com a Geografia. Estruturalmente apresentamos o texto dividido em cinco seções/subtítulos: duas teóricas conceituais, uma de apresentação metodológica, uma de apresentação dos resultados obtidos, e uma última que contém as considerações finais, além das referências de aporte teórico. Inicialmente destacamos que a Cartografia Tátil surge como derivação das técnicas cartográficas, voltada principalmente para o público que apresenta limitação visual, e nesse sentido a entendemos como uma Ciência que é capaz de transmitir uma informação e propiciar a construção de conhecimento, principalmente para aqueles que apresentam limitação no uso da visão, mas que não se destina apenas ao uso desses sujeitos. A mesma possibilita o acesso à informação geográfica e dos processos de representação, análise e interpretação de informações espaciais. O viés da utilização deste recurso de ensino pauta-se no seu uso na mediação dos conhecimentos geográficos em turmas consideradas inclusivas, sendo estas as que apresentam alunos com alguma limitação cotidiana de vida e na aprendizagem de ordem sensorial e/ou motriz (que pode ser chamada de deficiência). Justificamos a importância de tal abordagem no âmbito de pesquisas relacionadas com o eixo do evento pertinente ao Ensino, Formação e Profissionalização da Geografia por acreditar que a temática da inclusão deve ser esmiuçada cada vez mais por todas as Ciências do Conhecimento que estão presentes na Educação Básica e no Ensino Superior. A Geografia, Ciência do conhecimento que se faz presente nas instituições escolares enquanto disciplina, destaca-se potencialmente nas condições recursais-metodológicas no fomento de tal reflexão, e um pequeno viés dessa possibilidade de difundir conhecimentos espaciais, de direito e acesso de todos, é apresentada nesse texto fruto de pesquisa concluída. Como resultado, descrevemos as limitações e avanços no uso da Cartografia Tátil como ferramenta de ensino nas aulas de Geografia, e consideramos a mesma capaz de difundir conhecimento geográfico em turmas inclusivas. Mas, alertamos para entendimento de que esse recurso não resolve todos os problemas no tocante à mediação desse conhecimento, pois existem inúmeros problemas a serem resolvidos a esse respeito, e isto abre caminho para o avanço das pesquisas sobre esta temática. O que podemos mensurar e afirmar com exatidão é que bem mais que um recurso didático de ensino, a Cartografia tátil, aliada ou não a outros recursos (como o uso da sonoridade), apresenta-se como uma ferramenta de facilitação, de inclusão, de suporte para a abertura de horizontes na construção de conhecimento geográfico e formação cidadã.

Publicado
2019-12-09
Edição
Seção
Linguagens cartográficas no Ensino de Geografia