EXPERIMENTAÇÕES COM IMAGENS NA DICOTOMIA RURAL/ URBANA DO ENSINO DE GEOGRAFIA

  • Carina Merheb de Azevedo Souza
Palavras-chave: Fotografia, Vulgata, Espaço

Resumo

Essa escrita faz parte da minha pesquisa de doutorado, defendida no mês de agosto de 2018, e se centraliza em experimentações com imagens produzidas dentro de práticas educativas desenvolvidas por mim em uma das minhas práticas como professora de Geografia da Educação Básica em uma escola da rede privada na cidade de Campinas – SP. Trata-se de uma reflexão sobre imagens realizadas pelos estudantes, a partir de propostas de experimentação de outros tipos de imagens no ensino de um tema que compõe a vulgata do ensino de geografia: as relações entre rural-urbano, entre cidade-campo. Essas propostas de contato e produção de outras imagens tiveram como objetivo ultrapassar as fronteiras do currículo habitual, descobrindo potências menores na educação. A tese foi escrita em duas grandes partes. A primeira delas concentrou-se no conjunto de fotografias utilizado pelos livros didáticos de Geografia que dicotomizam as relações entre campo e cidade. Nessa parte, apontou-se que, dentro do âmbito da geografia escolar, os livros didáticos estabelecem dicotomias entre alguns dos conceitos abordados, fazendo deles pares a serem estudados/aprendidos como uma polaridade, tais como: desenvolvido/subdesenvolvido; centro/periferia; rico/pobre e rural/urbano (tema desta pesquisa). O principal incômodo com essas dicotomias é que elas geram elementos formadores fixos para os estudantes. Quando esses conceitos tomam formas visuais impressas, como as imagens e fotografias dos materiais didáticos, elas funcionam quase que exclusivamente como provas ou exemplos do que se afirma no texto escrito que as antecede, sucede ou legenda. Dessa forma, essas imagens participam da criação dessas dicotomias, raramente provocando desvios nelas. Tendo em vista que esses conceitos dicotômicos acerca do rural e do urbano impossibilitam a compreensão da complexidade do espaço geográfico, não o considerando como aberto, contínuo e em movimento, as experimentações com imagens que configuraram a segunda parte da tese utilizaram fotografias e imagens que não estão nos livros didáticos, sendo principalmente obras de fotógrafos e artistas. A segunda parte é sobre as experimentações que visaram realizar uma nova maneira de lidar tanto com os conceitos geográficos de rural-urbano, campo-cidade, quando com as próprias imagens visuais em contexto escolar, criando e testando outros modos de entrar em contato com o conteúdo da geografia e do espaço.De maneira mais geral, essas experimentações buscam permitir uma outra educação visual, usando outras imagens como combates aos pensamentos fixos já estabelecidos, inclusive na própria professora-pesquisadora, tendo como objetivo reimaginar oespaço e suas classificações, bem como reimaginar as imagens que participam dos contextos de escolarização em geografia. 

Publicado
2019-12-10
Edição
Seção
Múltiplas linguagens no Ensino de Geografia