DESMANCHANDO A ÁFRICA EM MIM – A COLAGEM COMO POSSIBILIDADE DE CRIAÇÃO NA EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA

  • Raphaela Desiderio
Palavras-chave: Fotografia, Experimentação, África

Resumo

Trata-se de um fragmento de uma pesquisa-experimentação. Experimentação como pensamento, como criação, como potência de subjetivação, e não como vontade de verdade. Um exercício de pensamento com e pelas imagens na educação geográfica. Uma escrita que é resultado de uma pesquisa que intencionou problematizar a África presente nas imagens didáticas a partir do estereótipo e da alteridade, principais estratégias do discurso colonial, e que operam pela dimensão racial. Entre os exercícios realizados está a colagem. A partir da técnica de colagem como possibilidade de tratar a imagem como um espaço de experiência, penso a educação pelas imagens num diálogo entre a geografia, a filosofia e a educação a partir da dimensão das subjetividades, do espaço como trajetórias e estórias, e não apenas como superfície, como localização geográfica. Mobilizo o pensamento a encontrar outras paragens e passagens para ver Áfricas que escapem desse desejo de ilustrar, representar, didatizar, e fixar os espaços em imagens que paralisam o pensamento. Para isso foi preciso desarranjar, deslocar imagens, suprimir legendas, mover o continente que está fixo nas páginas dos livros didáticos, e levar essas imagens para brincar, ou seja, deslocá-las do lugar de ilustração e experimentar com e a partir delas outros encontros, outras imagens. Esse exercício também oportunizou um pensamento que toma a espacialidade da questão racial como dimensão fundamental para os debates e práticas educativas na educação geográfica.

Publicado
2019-12-10
Edição
Seção
Múltiplas linguagens no Ensino de Geografia