OS DESAFIOS PARA ESTUDANTES E PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DO SÉCULO XXI E A CONTRIBUIÇÃO DA EDUCAÇÃO EMANCIPADORA DE PAULO FREIRE

  • Patrícia Paula da Silva
  • Eduardo Donizete Girotto
Palavras-chave: Era Digital, estudante-trabalhador, educação problematizadora

Resumo

As universidades públicas, nos últimos dez anos, têm recebido um novo perfil de estudantes universitários. De um lado, observa-se o crescente aumento do acesso aos meios digitais, o que tem implicado, mesmo que desigualmente, em rápidas mudanças nas formas de pensar e se relacionar com o mundo, considerando que esses jovens recebem imensa carga de informações, são mais inquietos, realizam várias tarefas ao mesmo tempo e não têm a menor paciência para escutar um professor falando por horas seguidas. Por outro lado, a implementação e a ampliação das cotas sociais e étnicas nas universidades inclui no meio acadêmico um perfil de “estudante-trabalhador” que despende muitas horas do seu dia para se deslocar entre a moradia e a universidade, com dificuldades na leitura e compreensão dos textos obrigatórios das disciplinas e no aproveitamento, com qualidade, das atividades ofertadas pela universidade. Diante dessa realidade, o presente trabalho apresenta os resultados parciais de pesquisa de doutorado desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação de Geografia Humana, da Universidade de São Paulo, que tem como principal objetivo compreender as implicações deste novo perfil discente universitário nos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior, tendo como recorte dois cursos de geografia, localizados na cidade de São Paulo. Neste trabalho, apresentamos os resultados das análises de entrevistas feitas com estudantes do curso de Geografia da Universidade de São Paulo, buscando compreender como os mesmos percebem as dificuldades cotidianas do ensinaraprender na universidade, bem como traçar um perfil preliminar desses estudantes. A entrevista foi realizada em forma de “roda conversa”, com todos os estudantes juntos. Suas respostas foram gravadas e transcritas para a realização da análise. A partir dos resultados incipientes, identificamos que: todos os estudantes entrevistados se queixaram de se sentirem constantemente ansiosos com a quantidade de conteúdos que precisam dar conta, somado à enxurrada de novas informações recebidas diariamente pelas redes sociais. Também relataram se sentirem muito desconcentrados, especialmente, quando estão estudando e o celular está próximo. Enfatizaram ainda que, quando a leitura do texto não está rendendo, pois não estão compreendendo suas ideias e conceitos, acessar as redes sociais se torna quase inevitável. Outro dado interessante é que: dos 9 estudantes entrevistados, 8 deles eram oriundos da rede pública de ensino, sendo 4 cotistas, e todos eles alegaram ter dificuldades com a linguagem acadêmica e na leitura e compreensão dos textos básicos. Diante disso, grandes desafios são impostos, tanto às universidades, quanto aos professores e estudantes. A pedagogia freiriana, a partir de uma proposta de problematização da realidade e protagonismo dos estudantes, e a Geografia, a partir do seu conteúdo e temática fundamentais para a formação do profissionalcidadão, podem contribuir substancialmente nas práticas pedagógicas a fim de superar tais desafios.

Publicado
2019-12-12
Edição
Seção
Metodologias ativas no Ensino de Geografia