PROFESSORES DE GEOGRAFIA DO ENSINO MÉDIO EM GOIÁS E REFORMAS CURRICULARES: INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA DOCENTE

  • Ismael Donizete Cardoso de Moraes
  • Leovan Alves dos Santos
  • Diego Nascimento Mustafé
Palavras-chave: Geografia escolar; Currículo; Reformas educacionais

Resumo

O texto apresenta os resultados parciais da pesquisa "Percepções dos professores de Geografia do Ensino Médio em Goiás: as reformas curriculares e suas influências na prática docente". Parte-se do argumento frequentemente utilizado por parte daqueles que corroboram para as atuais mudanças curriculares e educacionais a serem implementadas no país de que essas reformas não são atos novos e isolados. Quase sempre, suas argumentações vão no sentido de rememorar as orientações curriculares anteriores, como os PCNs e as DCNs, no sentido de tentar incluir as atuais reformas na educação e a própria BNCC em um processo natural que se desenvolve desde a aprovação da primeira LDB em 1961. Com o intuito de subsidiar o desenvolvimento da pesquisa, principalmente em relação ao seu foco principal, ou seja, a influência das políticas públicas curriculares nas atividades pedagógicas dos professores de Geografia do Ensino Médio, buscamos referências teóricas em estudos e pesquisas precedentes, na legislação específica para o do Estado de Goiás e na realização de entrevistas com professores de Geografia que atuam no ensino médio em Goiás. Para a leitura e interpretação dos dados da pesquisa subdividiu-se os instrumentos de análise em três categorias: a questão da reforma educacional atual; os dados relacionados à prática em sala de aula; e o que se refere ao currículo propriamente dito. Sobre estas três categorias, estabeleceu-se como referencial teórico a análise de Libâneo (2016, 2018), no que concerne às questões relacionadas as reformas educacionais; Young (2010), em relação as questões curriculares; Shulman (2014) e Cavalcanti (2011, 2012) para se pensar a realidade prática e as questões pedagógicas para o professor, em um contexto em que tais reformas direta ou indiretamente influenciam o ensino de geografia na educação básica. A reforma educativa implantada na rede estadual de ensino do Estado de Goiás, nos últimos anos, representa, no âmbito local, as políticas em curso no contexto nacional, que, por sua vez, fazem ressoar o processo de internacionalização das políticas educacionais, deixando como marca o processo de padronização e uniformização da educação escolar. A incidência da internacionalização das políticas educacionais sobre o trabalho docente modifica estruturalmente o ensino escolar, excluindo determinadas formas de ensino e inserindo outras, padronizadas e mecanizadas, fazendo que o professor perca de vista cada vez mais seu objeto de trabalho – o conhecimento – e as formas conscientes de compreendê-lo, planejar e realizar seu ensino. A pesquisa que está em andamento tem proporcionado aos pesquisadores uma profunda discussão sobre aspectos que direta e indiretamente afetam o ensino e a aprendizagem em nossas escolas, e que precisam de ampla discussão crítica e consciente, pois entendemos que o professor orienta suas atividades por convicções e opções pedagógico-didáticas resultantes de sua formação inicial e continuada, e de sua prática, fundamentadas em concepções teórico-metodológicas e no papel que a Geografia escolar exerce na formação de alunos que participem ativamente no projeto social que defende. 

Publicado
2019-12-12
Edição
Seção
Políticas e Práticas curriculares no Ensino de Geografia