Sociedade de risco, desastres ambientais e atingidos: estabelecendo algumas aproximações

  • Renata Venturim Bernardino Rede de Antropologia da Ciência e da Tecnologia

Resumo

O artigo propõe a apresentar uma discussão acerca do conceito de risco na sociedade contemporânea e dos complexos desafios forjados por empreendimentos “modernizadores” na contemporaneidade, como usinas hidrelétricas, atividade de neoextrativismo de mineração, ou, ainda, por equipamentos tecnológicos como o radioterapêutico. Para tal debate, iremos nos basear em uma revisão bibliográfica com aporte teórico em Gabe Mythen, Ulrich Beck, Anthony Giddens, entre outros, e em três pesquisas sociológicas brasileiras que tratam de exemplos emblemáticos de desastres ambientais e seus impactos ambientais e sociais ocorridos na região sudeste do Brasil. Os resultados apontam que a distribuição dos riscos, decorrentes de processos produtivos e tecnológicos, é permeada por relações de poder e pela lógica capitalista de desenvolvimento, de modo que se escamotea a “geopolítica do risco” corroborando para a produção da invisibilização do dano e do sofrimento social dos atingidos. Conclui-se que a prevenção dos riscos e a forma como se lida com eles envolve uma reorganização do poder e de responsabilidades.

Publicado
2020-03-01
Seção
ST 06: Experiências sentipensantes: corpos, saberes e ambientes em perspectiva