Estradas e estuário: fricções entres infraestruturas e paisagens multiespécies no contexto das mudanças climáticas
Resumo
Esta comunicação propõe apresentar uma etnografia multissituada em andamento, que trata sobre os efeitos de grandes infraestruturas em paisagens ricas em água. A pesquisa articula três manchas (patches) no sul do Brasil - a rodovia BR-101 e o estuário do rio Itapocu (SC), as monoculturas cultivadas na antiga floresta Ombrófila Mista (Planalto Norte Catarinense) e o porto de São Francisco do Sul na baía da Babitonga (SC) — com investigações realizadas na ilha de Okishima, no Lago Biwa (prefeitura de Shiga - Japão). Em Okishima, me interessei especialmente por formas locais de percepção ambiental, habitabilidades anfíbias e técnicas de agricultura, pesca artesanal e bricolagem, atravessadas por pressões de envelhecimento populacional, mudanças econômicas recentes no Japão, alterações na dinâmica das águas e perturbações ecológicas causados por espécies ferais e por intervenções hidráulicas no lago. Mobilizando noções como infraestruturas multiespécies, cosmotécnicas de resposta, habitabildiades anfíbias e artes de notar, proponho uma leitura etnográfica das práticas de adaptações multiespécies coordenadas presentes nessas paisagens. A proposta busca contribuir para os debates contemporâneos em antropologia da paisagem, da técnica e da ciência, especialmente em paisagens ricas em água sob pressão ecológica.