Alianças juçareiras: cosmopolíticas vegetais e a (re)existência dos territórios tradicionais da Mata Atlântica
Resumo
A pesquisa pretende descrever etnograficamente alianças, conflitos, histórias e diferentes modos de viver com a palmeira-juçara (Euterpe edulis) dentro do território tradicional da Mata Atlântica. Alimenta-se de vivências entorno da colheita e relacionalidades com o fruto, nas matas e nas roças, em eventos e oficinas, com agricultores(as) juçareiros(as) junto à frente de agroecologia do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) - uma articulação política e socioambiental entre povos indígenas, quilombolas e caiçaras - da região da Bocaina, um segmento da Serra do Mar (SP-RJ). A palmeira é marcada pelas fraturas do contínuo colonial no espaço, no tempo e no imaginário que assolam uma ancestralidade pindorâmica biocultural, desde múltiplas destruições do território-floresta à exploração predatória do palmito, que levou-a à vulnerabilidade de si e de ecologias conviventes. Atravessado por conflitos históricos ecopolíticos e ontológicos, “A juçara é nossa!” é um grito de insurgência das comunidades a partir de alianças vegetais com a juçara e com a Mata Atlântica, como uma cosmopolítica da (re)existência do território, de identidade e de pertencimento frente à criminalização das práticas e saberes tradicionais, à monocultura e à iminência da comoditização do fruto. Nesse emaranhado multiespécies, busco seguir os movimentos e envolvimentos da juçara enquanto espécie companheira de luta em defesa do território e “ponta de lança” para retomada aos modos de vida tradicionais das roças.