Florestania e Futuro Ancestral: geopolítica contracolonial em tempos de catástrofes

Autores

  • Othon Pantoja Oliveira de Azevedo UFRJ
  • Mariana Carraca Pinto da Costa UFRJ

Resumo

Em um cenário marcado por múltiplas catástrofes (climáticas, políticas e ontológicas), este trabalho propõe refletir sobre a florestania como expressão de uma política contracolonial. Inspirada por práticas como as de Chico Mendes e por movimentos contemporâneos de comunidades tradicionais, a florestania articula territórios e saberes entre campo, floresta e cidade, promovendo alianças insurgentes contra a devastação promovida pelo “povo da mercadoria”. A crise climática, entendida aqui como herança e continuidade da colonialidade, evidencia a necessidade de uma geopolítica da diferença enraizada no Sul Global, mas também de uma virada contracolonial mais radical e relacional. A noção de metacidadania ecológica e o conceito de futuro ancestral, presente nas cosmologias de Krenak e Kopenawa, ampliam o horizonte político da resistência territorial e epistêmica. A arte indígena contemporânea — como nos trabalhos de Daiara Tukano — é aqui considerada não apenas como expressão estética, mas como cosmopolítica da florestania. Ao propor a indigenização e aquilombamento 
das cidades, busca-se ativar práticas territoriais que reencantem o mundo e multiplicam refúgios. Esta reflexão busca contribuir com o debate sobre como viver e resistir no tempo das catástrofes por meio de alianças entre humanos e mais-que-humanos (para além de Natureza e Cultura), ancestralidade e futuro, floresta e cidade.

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 35 | Terra viva, terra livre: retomadas, movimentos e alianças contracoloniais no tempo das catástrofes