A vida social dos plásticos: uma etnografia na praia do Porto da Barra em Salvador-Bahia

Autores

  • Elena de Medeiros Batista Unicamp

Resumo

Essa proposta de pesquisa visa etnografar as relações entre plásticos e humanos na praia do Porto da Barra, em Salvador, Bahia, e seu entorno. Por meio da observação participante, entrevistas semiestruturadas e o uso de recursos audiovisuais, busca-se mapear e reconhecer os diversos sentidos sobre como nos relacionamos com os plásticos. A proposta consistirá em desfazer categorias pré-concebidas sobre os plásticos que muitas vezes condicionam as interações ao funcionamento desses materiais e, em paralelo, investigando sobretudo a partir de  uma literatura recente do campo dos estudos do parentesco, as relações de aliança e parentalidade possivelmente estabelecidas com eles. Sendo assim, pretendo articular esta discussão a partir de três eixos interligados. Inicialmente, abordo a perenidade da vida útil dos plásticos e os múltiplos sentidos que assumem no cotidiano da Praia do Porto da Barra, destacando sua interação multiescalar. Em seguida, busco compreender como o plástico, enquanto material resíduo e mutável, estabelece relações de intimidade e contaminação com humanos e não humanos. Por fim, discuto como os plásticos engendram as tramas de poder contemporâneas, atuando como agentes na produção de vidas menos-que-humanas e mais-que-humanas. Sob a hipótese de que a experiência só é possível de ser compreendida – e valorada – pela vitalidade entre ser e matéria, considero que o modo como são estabelecidos usos e percepções sobre os plásticos intervêm nas formas de sociabilidade instituída.

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 34 | Tecnodiversidade, criações de mundo e recriações entre seres