Imaginando a Máquina: Imaginários Sociotécnicos e Ficções Científicas sobre Inteligência Artificial aplicada à Saúde

Autores

  • Pedro Henrique Rocha UFMG
  • Nayara Ariel Alquimim Pacheco UFMG

Resumo

 A consolidação da Inteligência Artificial (IA) como campo técnico e discursivo não pode ser compreendida apenas pelos seus avanços computacionais, mas deve ser analisada como um fenômeno atravessado por disputas simbólicas, políticas e materiais. Esse texto propõe uma reflexão ampliada sobre os imaginários sociotécnicos (Jasanoff; Kim, 2015) da IA, articulando duas frentes principais: (1) os usos cotidianos da IA, especialmente em interações afetivas como o uso terapêutico do ChatGPT, e (2) o debate público mediado por veículos jornalísticos. É nesse entrelaçamento entre experiência cotidiana, discurso público e ontologia da técnica que se articulam os imaginários sociotécnicos. A IA aparece como condensadora de ficções, expectativas e tensões. Não é coincidência que filmes como Blade Runner e Her sejam constantemente mobilizados para ilustrar o que se espera, ou teme, de uma IA. As fronteiras entre ficção e ciência, como aponta Jasanoff, são porosas, e a ficção funciona como um laboratório ético e político da tecnociência. A partir de conceitos de teóricos como Jasanoff, Ingold, Latour, Haraway, dentre outros pensadores na áreas dos ESCT e Antropologia da Ciência, pretendemos articular ciência, técnica e imaginação, nosso trabalho convida à reflexão sobre os limites da dicotomia sujeito/objeto e sobre os modos contemporâneos de mediação afetiva e epistemológica entre humanos e não humanos. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 03 | Antropologia das inteligências artificiais: materialidades, práticas e imaginários sociotécnicos