Ecologia do combate à doutrinação: a produção da crise de confiança nas escolas
Resumo
Em diálogo com a literatura sobre a reorganização da direita que ocorreu no século XXI (Rocha, 2019), que demonstra o interesse consistente dessas figuras antissistema (geralmente parlamentares) na ocupação de cargos dentro do sistema, temos elaborado a relação ecológica entre as atuações legislativa (Aquino; Moura, 2025) e empreendedorística. Essa utilização síncrona de lugares muito diferentes para atuar politicamente indica um uso consciente e uma leitura cibernética por parte desses atores dos processos sociais e políticos que eles geram, participam ou buscam se inserir. Essa expertise desenvolvida por esses sujeitos coloca o direito à educação em perigo, uma vez que eles usam diferentes lugares dentro da ecologia (mídias digitais, cargos legislativos, judiciário, Poder Executivo) para avançar suas pautas em diferentes frentes. Ante sujeitos vulneráveis nas escolas – professoras/es precarizadas/es em vínculos frágeis e climas escolares pouco democráticos – o empreendedorismo político da direita não encontra mecanismos que interrompam seu uso predatório da energia (Bogdanov, 2024) produzida nas relações de ensino-aprendizagem. Nessa linha, essa pesquisa reune fontes de sites, redes sociais, casas legislativas e pesquisas sobre perseguição contra educadoras/es para entender os ciclos cibernéticos estabelecidos a partir dessa ecologia para deslegitimar os professores enquanto peritos identificados como inimigos das famílias.