Antropologia e Design de Experiência do Usuário (UX Design): o que isso tem a ver?
Resumo
Desde sua fundação, a antropologia foi marcada por reflexões acerca do seu objeto, objetivo e principalmente, de ser antropólogo. Com essa constante revisão de si própria enquanto disciplina, o lugar onde ela deveria estar situada foi se modificando e a sua apropriação também. Partindo da revisão de clássicos como Peirano (1995, [1991]) que define o “ser antropólogo”, Boas (2004, [1889]) e Geertz (2008, [1973]) sobre limitação do pesquisador e perspectiva situada, e Gluckman (2010, [1958]) sobre agentes em contextos complexos. O objetivo deste estudo é explorar como a antropologia vem sendo entendida, e principalmente, utilizada em outras áreas, neste caso, na área de Design de Experiência do Usuário (em inglês, user experience, conhecida por UX Design). Para isso, realizo uma revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos sobre o “ser antropólogo” e sua prática etnográfica, além de análise de conteúdos online (relatos profissionais, artigos e cursos) que abordam a aplicação de métodos antropológicos em UX. Entre os achados preliminares, é possível perceber que cursos como "UX Research e Antropologia Digital" da ESPM e "Antropologia, Inovação e UX Design" de Eros Sester, hospedado na plataforma Udemy, aplicam conceitos ditos antropológicos como diversidade cultural, etnografia e netnografia/etnografia digital para entender o usuário e criar soluções mais