Leonídio Ribeiro: o uso da antropometria e do discurso médico para apagamento de corpos dissidentes de gênero e sexualidade
Resumo
A intenção desta escrita é evidenciar como o Brasil passou e ainda passa por processos higienistas com relação a corpos dissidentes de gênero e sexualidade (LGBTIAPN+), e como a antropometria física foi essencial para potencializar discursos médicos e a vigilância de estado como forma de controle sobre esses corpos, a partir da abjeção. Tendo como base dois livros: O problema médico-legal do homossexualismo (1936) e Homossexualismo e Endocrinologia (1935), o médico legista brasileiro Leonídio Ribeiro Filho, influenciado pelos estudos dos cientistas e médicos espanhóis Gregório Marañon e Cesare Lombroso, responsável por estudos que identificam criminosos da cidade do Rio de Janeiro, justificando seu mau caráter a partir de características homossexuais, traz ferramentas e pesquisas, difundindo em livros médicos e códigos penais como em Medicina Legal e Criminologia (1949) e o Novo Código Penal e a Medicina Legal (1942). A partir disso, esta pesquisa, além de apresentar esses estudos, faz um paralelo com o campo de Design, pensando como ainda hoje utilizamos ferramentas ergonômicas e antropométricas para reforçar estereótipos, principalmente dentro de uma lógica binária.