Cartografia social na malha fluvial da grande Aracaju/SE: um mergulho nas águas do Rio do Sal
Resumo
Este trabalho tem como objetivo desenvolver uma análise antropológica centrada nas dinâmicas sociais das populações que vivem nas áreas ribeirinhas de Aracaju e sua região metropolitana, especialmente nas comunidades cujas vidas estão diretamente ligadas às águas do Rio do Sal. Essas populações, historicamente invisibilizadas pelas políticas públicas, apresentam modos de existência marcados por fortes vínculos com o território, com o trabalho, com as práticas culturais e com os ciclos das águas. Embora a escolha de Aracaju como capital tenha ocorrido por razões logísticas ligadas ao rio Sergipe, é fundamental destacar que foram as comunidades ribeirinhas que sustentaram, com seus saberes e práticas, parte importante da formação social da cidade. A análise propõe uma revalorização dessas experiências sociais, entendendo os rios não apenas como elementos naturais, mas como espaços de vida, memória e resistência. A partir da observação das territorialidades marginalizadas, busca-se construir uma cartografia social capaz de revelar trajetórias, redes de solidariedade, conflitos e estratégias de sobrevivência. O trabalho defende, assim, o reconhecimento do papel ativo dessas populações na construção da cidade e a importância de se ouvir suas vozes na formulação de políticas públicas mais justas e sensíveis às realidades locais.