“Cada corpo tem a cara do mundo onde se criou”: As contingências ecológicas nas políticas de proteção à biodiversidade e farmacopeias

Autores

  • Priscila Ambrósio Moreira UFSCAR

Resumo

O conceito de biodiversidade tem sido intensamente mobilizado, da disputa no ordenamento territorial à salvaguarda do patrimônio genético. Contudo, pautado na Biologia clássica neodarwinista, esta noção traz consigo um ponto-cego: ao privilegiar unidades ao invés de relações, as espécies são consideradas entidades acabadas e programadas em códigos genéticos; portanto, passíveis de cópias e lastro para uma “política da Arca de Noé”, como evocado por Malcom Ferdinand. Ignora-se, assim, que a biodiversidade é um índice necessariamente contextual, moldado pelas contingências ecológicas, como busco argumentar ao  considerar que a existência de uma farmacopeia depende da comunicação, condutas e sociabilidade entre os organismos em um território. Este argumento contrasta com a Farmacologia, que a partir do isolamento de moléculas, compreende a função das substâncias, mas não como acontecem os processos vitais, estes sempre relacionais, imersos no mundo. Mesmo estudos em etnofarmacologia permanecem alheios às relações ecológicas pelas quais as substâncias são produzidas. A partir de um levantamento bibliográfico e observações de outros modos de conhecer tais fenômenos inter e intraespecíficos em diferentes contextos territoriais, investigo como as ecologias químicas e sensoriais, justamente por seu caráter dinâmico e contingente, retratam a performance contemporânea da biodiversidade nos territórios. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 10 | Coexistência multiespécie em tempos de crise ecológica: entrelaçamento a, agenciamentos e destinos comuns