Marimba, Memória e Vida: A Congada como Estratégia Coletiva na Era da Rodovia Rio-Santos

Autores

  • Guilherme Yoshio Agata Evangelista Unicamp

Resumo

O trabalho examina disputas territoriais, políticas e simbólicas em torno da Congada do Bairro São Francisco, em São Sebastião/SP, desde 1970, tendo como pano de fundo a  turistificação do litoral norte paulista e os reordenamentos urbanos impulsionados pela construção da rodovia Rio-Santos. Manifestação caiçara enraizada na Festa de São Benedito, a Congada mobiliza corpo e memória como forma coletiva de produção do território — não como resistência idealizada, mas como organização concreta da vida diante da captura institucional e da expropriação fundiária. A partir da trajetória de Casemiro Camilo dos Santos, liderança comunitária e marimbeiro, a análise articula história oral e bibliografia crítica para compreender os efeitos das políticas culturais que, sob o pretexto da preservação, desarticulam sentidos históricos e práticas de pertencimento. O trabalho dialoga com autoras e autores como Kilza Setti, Ilka Boaventura Leite, Fernanda Folster de Paula, David Harvey, Giovanni Cirino, Rodrigo Ribeiro de Castro e Adriana de Souza de Lima, entre outros, para evidenciar os mecanismos de folclorização e a reinvenção das formas coletivas de vida frente às promessas do capital. Fundado na memória ancestral e na vivência compartilhada com a comunidade, o trabalho ancora-se na observação participante, permitindo uma escuta situada das territorialidades que a Congada expressa e reafirmando o compromisso com formas de vida que organizam o território diante do avanço do capital. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 11 | Coletividades, imaginações e enfrentamentos diante das promessas desenvolvimentistas e das políticas predatórias de confisco da vida