O sumiço da mulher-folha: experiências de encantaria na Caatinga de Chorrochó-Ba

Autores

  • Valter Hugo Santos De Miranda UESB

Resumo

Este trabalho, parte significante dos meus diários de campo e das memórias que comporão minha monografia, emerge a partir da imersão na história da minha família, em relação com os encantados e ancestrais que nos acompanham e moldam nossos modos de viver na Caatinga, zona rural de Chorrochó-BA. Narro a história da minha avó, Mãe Teté, teus encantados e o seu processo de desaparecimento — ou integração — no cinza da mata fechada da região submédia das corredeiras do Velho Chico ou Opará, como conhecemos o Rio São Francisco. Escolho como fio condutor nossas relações com os encantados pois são eles que orientam nossa forma de habitar a  terra, mas Debruço-me sobre sonhos, aparições mais-que-humanas, o processo de cura realizado por Tupinambá, seu caboco, e outros eventos para refletir sobre nossas formas de lidar com a vida e seus fins passageiros. A expressão “mulher-folha” surge de uma investigação em andamento sobre sua relação com folhas, curas e seu nome popular, considerando que, no Candomblé Ketu, Teté é o nome de uma folha e que suas curas partiam quase sempre das folhas da Caatinga. Seu desaparecimento me convoca — como neto, afro-religioso e pesquisador — a investigar essas experiências. Para tanto, recorro a Kopenawa, Albert, Tsing e Nego Bispo, a fim de dar braços e pernas às relações entre nós, a Caatinga e os encantados: parentes inseparáveis, desafiando as narrativas dominantes que historicamente tentaram soterrar nossas cosmologias sobre a habitabilidade na terra. 

Publicado

2026-09-08