Contar e cantar junto aos Léguas: modos de narrar no terecô de Codó (MA)
Resumo
Este trabalho se debruça sobre as narrativas cantadas e contadas por pessoas e encantados vinculados ao terecô, uma religião de matriz africana presente, especialmente, no Maranhão. A partir de um trabalho de campo etnográfico realizado em Codó, no interior do estado, buscamos repensar elementos presentes na bibliografia sobre o tema (inclusive em trabalhos nossos) que associam o terecô à Codó, aos encantados da família de Légua Boji Bua e às matas da região. Na companhia deste trabalhos buscamos dar centralidade às narrativas presentes nas conversas e nas doutrinas “puxadas” por pessoas e entidades para explorar as ideias de que i) Codó, ainda que município, é um território não fixo que remete a uma categoria própria de força; ii) a família de Légua, ainda que relacionada às matas da região, é também caracterizada pelo deslocamento, de modo que se vincula a símbolos de outros contextos e temporalidades. Assentamos nossa análise na percepção de que o que se conta e se canta sobre o terecô - em suas múltiplas formas - são processos de criação, especulação e reinscrição da religião, que atualizam e fornecem sentido às experiências. Ao mesmo tempo, reconhecemos a centralidade dos pontos cantados, as doutrinas ou toadas, como dinamizadores de narrativas e vivências. Concluímos reforçando a importância metodológica e as implicações do contar e cantar; mas também revendo noções estanques de território, terra e encantaria, constantemente desafiadas por terecozeiros e entidades.