As mobilizações das categorias de autismo e infância no cerceamento de acesso à saúde da população trans
Resumo
É crescente os ataques de diferentes setores - médico, legislativo, privado, etc - ao acesso à saúde e aos direitos da população trans. Esses retrocessos afetam em alguma medida toda essa população; porém, é notório como certos grupos são alvo cada vez mais constante dessas investidas e de uma deslegitimação de suas identidades. No presente trabalho, pretendemos nos debruçar sobre dois desses grupos: as crianças e os autistas trans (e as interseções entre essas categorias). O presente trabalho surge a partir do interesse de membros de um grupo de estudo sobre gênero e sexualidade, composto por estudantes da graduação e da pós graduação em psicologia na UFRJ, ao se depararem com a resolução nº 2.427/2025 do CFM que, dentre suas medidas, proíbe o uso de bloqueadores hormonais e a terapia cruzada para menores de idade e torna contraindicada a hormonização para usuários com transtornos do desenvolvimento graves, incluindo o autismo. Desse modo, nosso objetivo é investigar de que forma o autismo e a infância são mobilizados para o cerceamento do acesso de pessoas trans às biotecnologias de afirmação de gênero - dos hormônios às cirurgias. Para isso, nos utilizaremos da cartografia das controvérsias de Latour e Venturini - mas em diálogo também com autores como Butler e Preciado - para explorar diferentes discursos sobre o tema tanto nas legislações e resoluções vigentes no Brasil e no mundo quanto as tentativas de resistência de movimentos sociais que lutam contra essas medidas.