Mulheres brasileiras e o cuidado em Portugal: Trabalho, estereótipos e violência

Autores

  • Badr Abou Dehn Pestana UFSCAR
  • Igor José de Renó Machado UFSCAR

Resumo

A demanda por trabalhadores migrantes no setor de cuidados em países ricos é um reflexo da desigualdade da divisão de trabalho e riqueza global. Nesse contexto é importante considerar como o gênero estrutura as experiências migratórias: mulheres migrantes estão inseridas numa complexa gama de marcadores sociais que refletem e definem suas relações com o trabalho e interações sociais no país receptor. O aumento da feminização das migrações tem levado a uma maior presença de mulheres no setor do cuidado, o que demanda análises, pois o cuidado é frequentemente tratado não como resultante de uma formação profissional, mas sim de um suposto "instinto", reforçando sua vinculação à imagem do feminino e com os estereótipos raciais. No caso da migração brasileira para Portugal observa-se essa tendência em que o trabalho no setor de cuidados recai particularmente sobre as mulheres imigrantes. Diante desse cenário, a presente pesquisa, ainda em estágio de desenvolvimento, por meio de uma etnografia inicialmente realizada por observação digital e posteriormente em um trabalho de campo, busca analisar como dimensões como sexualidade, raça, etnicidade e nacionalidade se interseccionam reverberando nas relações laborais e de que maneira os estereótipos que atravessam o cotidiano dessas mulheres moldam suas trajetórias, desde a inserção no mercado de trabalho até o acesso a direitos e à cidadania.

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 19 | Dissidências do Cuidar: tensões nas coexistências mais que humanas