Cuidado em redes invisíveis: Creches informais, colonialismo e a resistência pericapitalista nas periferias urbanas

Autores

  • Amanda Costa Cruz Oliveira UFES

Resumo

A presente pesquisa se dedica à compreensão de como o cuidado voltado às pessoas periféricas é impactado pelas lógicas colonialistas e capitalistas, fazendo com que alternativas pericapitalistas de cuidado — tomando emprestado o conceito de Anna Tsing — surjam em resposta. Buscou-se compreender o que são as creches informais, frequentemente ocultas nas estruturas sociais, mas de extrema importância para o desenvolvimento das famílias periféricas e, por consequência, para toda a nossa cadeia social. Parte-se da compreensão de Maria Puig de la  Bellacasa sobre o cuidado como uma teia que envolve todos os seres vivos, mesmo nas camadas mais invisíveis da sociedade. O trabalho aponta para a noção de que o cuidado é atravessado por interseccionalidades de raça (a partir dos pensamentos de bell hooks, Lélia Gonzalez e Hortense Spillers), gênero (com base nas análises de Bhattacharya, Federici e Fraser) e classe social. Além disso, propõe uma crítica à ideia, recorrente em estudos sobre a história das pré-escolas e creches no Brasil, de que as creches informais teriam desaparecido com o surgimento das instituições formais e com o suposto aprimoramento do sistema educacional. Tal visão contribui para o apagamento de uma parte fundamental do desenvolvimento das periferias urbanas. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 19 | Dissidências do Cuidar: tensões nas coexistências mais que humanas