Cuidar com crianças: práticas de interdependência

Autores

  • Joana Martins Pereira PUC-RIO

Resumo

Nas últimas décadas, pensadores de diversas áreas tem proposto uma mudança de paradigma necessária no Antropoceno: de agressores a cuidadores de um planeta doente. Nesse contexto, o cuidado se apresenta como uma prática cidadã interessada em reparar, nutrir e manter o que é comum. O cuidado é entendido por Joan Tronto e Maria Puig de la Bellacasa como uma relação que envolve assimetrias. Se as relações de cuidado extrapolam as relações afetivas, domésticas e amorosas e são inerentes a todos, é preciso cuidar do que é diferente a nós. Em um esforço de estabelecer “parentescos estranhos” (HARAWAY, 2023), só é possível pensar num cuidado universal se fugirmos de uma lógica antropocêntrica e pensarmos em comunidades maisque-humanas de cuidado. Pensando em uma democracia do cuidado (TRONTO, 2013), é possível observar em certas práticas pedagógicas uma abordagem a partir da ideia de cuidado com o território. A partir do entendimento da interdependência do cuidado, pensar com as crianças pode nos ajudar a traçar caminhos para fora da crise e gerar comunalidade (ESCOBAR, 2020) para além de laços sanguíneos, semelhanças e antropocentrismos. Como parte dessa pesquisa, realizo atividades extensionistas em territórios vulnerabilizados do Rio de Janeiro e um levantamento de atividades de educação ambiental/urbana com crianças brasileiras. Como tensionar a categoria do cuidado/care desde uma perspectiva contextualizada no Sul Global? Qual é o entendimento de cuidado para essas crianças? 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 19 | Dissidências do Cuidar: tensões nas coexistências mais que humanas