Agricultura de precisão, operações de drones e a mão-de-obra especializada do agronegócio no oeste da Bahia: algumas notas de campo
Resumo
Neste trabalho proponho uma discussão sobre um segmento de trabalhadoras e trabalhadores do agronegócio que tem sido definido como uma mão-de-obra especializada; um segmento de trabalhadores e trabalhadoras que não são trabalhadores ditos “braçais”, e dos quais se demanda, em princípio, alguma escolarização. Esses trabalhadores possuem alguma formação que lhes permita lidar ou aprender a lidar com a tecnologia, maquinário e transportes usados na produção do agronegócio. Demanda-se também que saibam lidar e executar uma gestão que se pretende mais moderna (ou assim se declara) na lógica produtiva do agronegócio. Os dados da etnografia em elaboração aqui apresentados foram produzidos a partir de trabalho de campo nos municípios “oestinos” Riachão das Neves e Barreiras, como são referidos aqueles da região oeste da Bahia. Durante a pesquisa em campo, me foram descritas algumas das ocupações ou atividades que representam aquele segmento que nos interessa compreender: operadores de drone, tratoristas, revendedores, representantes comerciais, operadores agrícolas de colheitadeira e plantadeira, pilotos de avião e profissionais de manutenção de aeronaves agrícolas, gestores, coordenadores de campo, técnicos de segurança, entre outros exemplos. A pesquisa em andamento é relativa ao Projeto “Entre idas, vindas e expulsões: os movimentos populacionais na chamada última fronteira agrícola, o MATOPIBA”, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB).