Educação como gesto de escuta da diversidade que sustenta a vida no planeta Terra
Resumo
Partindo da crítica à educação humanista, entendendo o humanismo como base estruturante da sociedade, arquitetura que sustenta a ideia de excepcionalidade do ser humano. Este artigo pode ser uma possível contribuição com a crise educacional atual. Por meio da produção poética de Castiel Vitorino Brasileiro, artista, escritora, travesti, negra e psicóloga, que nos oferece uma potente disputa imagética e narrativa, ao afirmar a transmutação como desígnio da vida, sendo a perecividade sua condição essencial. Seus estudos em relações interespecíficas propõem um modo de vida em que humanos, plantas, espíritos, águas e outros seres coexistem em redes de afeto, cuidado e aprendizado mútuo. Procuramos uma escuta sensível e relacional, não para analisar as obras, mas permitir que interrompam o saber que se pensa pronto. Entrelaço a produção imagética e narrativa de Castiel com a fabulação de Conceição Almeida, que defende a educação como experiência da diversidade; com a ideia de implicância profunda de Denise Ferreira da Silva e a brincadeira de barbante de Donna Haraway. As considerações finais apontam as relações interespecíficas e a transmutação como centro, traduzindo-se em uma prática educativa sensível na qual aprender é um gesto de escuta da diversidade que sustenta a vida no planeta Terra. A prática poética de Castiel inspira uma educação que acolhe a experiência com o diverso. Nesse convite, o saber não é poder, mas vínculo, um chamado para compartilhar, cuidar e conviver.