Fabulando passados e presente com minha avó: histórias e vivências sobre terra e território entre o interior e o litoral da Paraíba
Resumo
Leonilda Maria da Silva (Nem de Zé) e José Luiz da Silva (Zé de Nem) casaram-se em 1964. Se conheceram em Santa Rita/PB, após minha avó fugir da fazenda São Geraldo, em Serraria, buscando estudar e morar com os tios — promessa que nunca se cumpriu. Desde cedo, trabalhou cuidando de crianças, até fugir novamente para casar. Vó Nem é costureira, cozinheira, agricultora e muito mais. Após a morte de Zé de Nem, vieram à tona memórias emaranhadas de infância, lugares, e histórias não oficiais. Zé era agricultor e construtor, e juntos plantaram a casa onde viveram, em Barra de Gramame (João Pessoa), hoje um espaço de resistência em meio à destruição urbana. Em uma dessas memórias, Nem e Zé participaram da retomada de terras do MST, na Fazenda Maraú, hoje Assentamento Canudos, em Sapé/PB. Cruzando dados com o INCRA, os nomes aparecem como projetos de assentamento, embora poucos registros oficiais existam. Esta proposta de texto é uma pesquisa coorientada por Leonilda Maria da Silva. Foi preciso deslocar o olhar para conseguir aproximar-se e começar a pesquisar junto. Compartilhar experiências entre a universidade, os territórios que transito nas pesquisas e trabalhos que participo, e meu próprio território, comum à minha avó, têm criado uma rede de trocas. Após fugir para estudar em outro estado, retornar vem acompanhado de um processo de aproximar. Minha pesquisa com minha avó também está na própria vivência, enquanto escuto.