“Uma casa feita para cair” Jaraguá: desaprendendo com o morro

Autores

  • Rodrigo Quintella Messina ESCOLA DA CIDADE

Resumo

A chamado dos guarani mbya da Terra Indígena do Jaraguá, alianças com os Juruá (nãoindígenas) vêm sendo construídas por meio de mutirões, cursos, manifestações e vivências que atravessam fronteiras e aproximam saberes, corpos e mundos distintos. Esta pesquisa relata algumas dessas ações e relações, especialmente entre a arquitetura e a antropologia, perguntando: como o morro do Jaraguá e os guarani mbya disputam os sentidos da cidade de São Paulo que está por vir? Como arquiteto, procuro especular respostas práticas e teóricas aos desafios do Antropoceno e proponho modos de aprender, desaprender e reaprender com o Jaraguá e seus povos. Como exemplo, apresenta-se uma “Uma casa feita para cair”, dos guarani mbya da aldeia yvy porã no Jaraguá, em que é necessária a constante renovação da sua arquitetura. Junto com essa renovação, deveria vir a prática de ensino para as gerações por vir sobre o cuidado para com a casa de reza, bem como as tradições guarani mbya. Assim, para os guarani mbya, dar manutenção à casa é dar manutenção à cultura, ao corpo, ao espírito. Fazer casa é fazer gente. Diferente de como aprendi, a casa, como coisa “viva”, vai junto com os guarani mbya. O que se  faz numa ordem reverbera na outra, isto é, o que está em questão é um princípio de correspondência entre coisas e pessoas, um modo de relação e ação, portanto, bastante distinto daquele de minha formação. Se fazer casa é fazer gente, que tipo de gente queremos fazer ao fazer nossas casas? 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 26 | Modos de fazer, modos de lutar: cocriações em correspondência com quilombolas, indígenas e comunidades de terreiros