A recusa ao tratamento medicamentoso no Instituto de Psiquiatria da UFRJ
Resumo
Este trabalho é fruto do mestrado em andamento da presente pesquisadora, representando parte focalizada da pesquisa mais ampla. Como objetivo do projeto como um todo, tem-se mapear as recusas expressas pelos usuários do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) diante dos diagnósticos recebidos e dos tratamentos propostos, bem como as práticas profissionais diante de tais recusas. No decorrer do trabalho, contudo, notou-se, por meio de entrevistas e observação participante, a prevalência das recusas às medicações psiquiátricas. Diante disso, intentou-se, aqui, explorar essa especificidade do campo. Como resultados preliminares, temos que tal recusa expressa um conflito a ser superado, por meio de estratégias muito específicas, mais ou menos coercitivas, de convencimento do usuário a ingerir os remédios. Até o momento, as estratégias mapeadas são: convencimento a partir da história pessoal (na qual eventos da vida são retomados para o usuário e reinterpretados conforme saber "psi"), convencimento a partir de ideia do bem estar que seria trazido por medicação, escambo e coerção. Importante salientar que, caso o sujeito não se entenda portator de um transtorno psiquiátrico, porém aceite a medicação, nenhuma dessas estratégias são convocadas. Assim, construir no sujeito uma ideia de si conforme o saber "psi" apenas se mostra necessário mediante a recusa medicamentosa, indicando para a centralidade de uma "adesão ativa ao tratamento medicamentoso" na instituição.