Redução de Danos e Emoções: teias de vínculo e acolhimento aos usuários problemáticos de drogas

Autores

  • Rodolfo Ferreira da Silva PPGSA-UFRJ

Resumo

Após produzir uma etnografia em uma cena de consumo de crack (SILVA, 2024), tenciono avançar no estudo das emoções e subjetividades a partir do atendimento realizado na rede pública de saúde (SUS), com foco no trabalho dos CAPS e CAPS AD sob a perspectiva da Redução de Danos (RD). Entendendo os CAPS como híbridos (Latour, 2019), observa-se a intersecção entre saberes médicos, práticas sociais, relações afetivas, políticas públicas, experiências subjetivas e tecnologias do cuidado. A RD, enquanto “espaço terapêutico”, não opera com uma separação rígida entre o biológico e o social, mas justamente na articulação entre esses domínios, o que Bonet e Tavares (2007) definem como “espaço entre”, percepções de corpo e visões de mundo diferentes que se tencionam e negociam constantemente. O cuidado é pensado como um processo relacional, envolvendo dispositivos, instituições e práticas que articulam elementos formais e informais. Nesse contexto, destaca-se a importância dos encontros singulares entre profissionais e usuários, nos quais se produzem sentidos e efeitos terapêuticos. O cuidado surge na escuta, na abertura à alteridade, no reconhecimento do outro em sua diferença e na construção conjunta de estratégias de vida. Destarte, busco refletir sobre as tecnologias de cuidado presentes na RD, a (re)construção de sociabilidade e subjetividades dos usuários, bem como o papel das emoções em sua dimensão micropolítica, incluindo debates sobre permissividade versus proibicionismo. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 24 | Medicamentos, remédios, drogas e mais: composições contemporâneas