Castanhas, suas árvores, seus mitos, com os Jamamadi de Massekury, do Alto Purus

Autores

  • Hugo Ciavatta UNESP

Resumo

“Aqueles que voltaram são agora os Tanodeni. Aqueles que passaram, foram para a Terra Grande, para os campos. Na volta, os Jamamadi, na beira do Igarapé, acharam Watu, cortaram e comeram, e jogaram as castanhas dentro d’água”. O trecho acima faz parte da nativa mítica “Watu” (ou castanha), dos Jamamadi ocidentais, falantes de uma língua Arawa (DIENST, 2014, 2016). A referência a este fruto/semente, junta-se às impressões de Tatiarabu Jamamadi, meu principal interlocutor e anfitrião durante o período de campo de tal narração. Caminhando pelas trilhas de Massekury, uma Terra Indígena não demarcada na região do Alto Purus, Tatiarabu destacava nossa passagem por algumas das árvores, por algumas plantas, como as castanheiras que havia naquela área. Um ano depois, ele escolheu uma daquelas castanheiras, mais próxima ao barranco do rio Purus, como seu túmulo. Portanto, seu sepultamento encontra no encerramento de Watu seu paradigma: como Tanodeni, Tatiarabu queria estar, também morto, aos pés de uma árvore de castanhas, perto também de um rio. O objetivo da apresentação, desse modo, é abordar o mito Watu dos Jamamadi ocidentais de Massekury. Pensar com o mito as histórias dos Jamamadi na região, e especificamente, tratar como foram contados, destacando a história mítica no contexto da pesquisa. Com isso, mais do que a referência cosmológica para o túmulo de Tatiarabu, trata-se de pensar as relações de “terra” como um contraste às noções estatais. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 25 | Modos de existência que brotam nas frestas: natureza e sobrenatureza em alianças insurgentes