Tramas de ejé: construindo laços entre humanos e não-humanos no Ilê Asé Sòpònnòn
Resumo
Este trabalho investiga, a partir da etnografia no Ilê Asé Sòpònnòn, terreiro de candomblé ketu-nagô em Belo Horizonte, como se aprende a fazer parentes além do sangue consanguíneo, prestando atenção ao ejé, o sangue que corre nas folhas, nos animais e nas pedras sagradas. O ejé branco, presente na seiva das folhas da Mata da Baleia, o ejé vermelho, que pulsa no sangue dos animais sacrificados, e o ejé preto, que vibra nas pedras Otás, são forças vitais que atravessam os limites do terreiro, ativando vínculos entre reinos vegetal, animal e mineral. Guiado pelos ensinamentos do Babalorixá Eduardo de Omolú e da Ekedji Alessandra, observo como esses sangues criam alianças insurgentes entre humanos e não humanos, desafiando as dicotomias tradicionais entre natureza e cultura, humano e não humano. Essa cosmopolítica dos ejés revela modos de existência que brotam nas frestas do urbano e do sagrado, propondo formas de coabitação e cuidado que resistem à violência colonial, ao capitalismo e à crise ambiental. Assim, o terreiro se apresenta como um espaço onde aprender a fazer parentes significa abrir-se a outras presenças, escutando e respondendo ao sangue das folhas, dos animais e das rochas.