Encontros de doutorandos em ciências ambientais com a antropologia dos objetos de Bruno Latour: desafios e recursos vivenciados na elaboração dos relatos
Resumo
Sabemos o que caracteriza uma tese de doutorado é a dedicação dos doutorandos em atender a todos os critérios para a elaboração de um texto dessa natureza. Contudo, para os que escolheram a Teoria Ator-Rede (TAR) como um caminho epistemológico para “acionar outras sensibilidades ecológicas que nos permitam escutar, dialogar e refletir sobre as consequências da crise ecológica global” (IX ReACT), fazer antropologia de objetos técnicos e científicos e escrever um relato arriscado, é desafiador. O que significa assumir a ação de humanos e não-humanos? A partir de que sinais podemos perceber o tempo em espiral? Quais são as dificuldades de abandonar a noção de tempo linear? O que essa noção tem a ver com a noção de revolução? Como rever o modo como realizamos nossas práticas científicas e passamos a observar a realidade de forma lenta, sem categorias prévias e sem conclusões apressadas? Como realizar uma prática científica que admite que o “social” não é o que explica, mas o que precisa ser explicado? Como estabelecer diálogo entre “outras formas de saberes, oriundos de culturas heterogêneas” (CAPES) como postura epistemológica? Considerando que as respostas a essas questões são os principais desafios enfrentados por doutorandos que cursaram disciplinas sobre TAR, ministradas desde 2012, o objetivo deste trabalho é descrever os recursos, estratégias, modos de superação de desafios, desenvolvidos por pesquisadores do campo da antropologia das ciências e das técnicas.