Entre leis, flores e sementes: Um estudo das práticas pedagógicas no território ancestral da Tekohaw Aldeia Marakanã

Autores

  • Vivian Fraga da Fonseca Instituto de Educação Carlos Pasquale
  • Viviane Fernandez de Oliveira UFF

Resumo

A pesquisa descreve à luz da Teoria Ator Rede (TAR) os agenciamentos promovidos pela lei 11645/08, que trata da história e cultura indígena na rede de ensino, com foco na formação de professores do Instituto de Educação Carlos Pasquale. De acordo com as práticas pedagógicas  escolhidas, reconhecemos que o atendimento à lei pode conectar, ou interromper, os territórios indígenas, evidenciando os limites da referida lei. A cartografia desta controvérsia permite rastrear a cadeia de associações entre atores humanos e não humanos – saberes, território, cosmologias e instituições– que constituem formas de existência e conhecimento. As experiências vivenciadas entre estudantes na Pluriuniversidade indígena Aldeia Marakanã — escuta dos pajés, ciclo de conversas, reconhecimento do território ancestral, identificação de espécies medicinais, pintura corporal como regate identitário, uso de flores e sementes no artesanato traçado entre a natureza e memória, plantio de árvores nativas na recuperação do solo, além de práticas de teatro crítico — retomam a relação entre os indígenas e a terra. Ao problematizar os limites da educação escolar, herdeira do pensamento moderno e da própria lei em questão, a pesquisa aponta a construção de uma ecologia de saberes que inclui diversos actantes: plantas, sonhos e ancestralidades, como agentes de conhecimento. Propõe-se uma educação como prática de liberdade, que desafia as fronteiras modernas e convoca um novo modo de existir e aprender em rede. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 28 | Pedra, planta, bicho, gente… coisas: encontros da teoria ator-rede com as ciências ambientais