Redes de cuidado entre espécies, saberes, rios: por uma outra educação ambiental

Autores

  • Adriana Maria Loureiro UFRRJ
  • Fátima Teresa Braga Branquinho UERJ

Resumo

Este trabalho propõe um encontro entre a teoria ator-rede, na figura de Bruno Latour, e as cosmologias indígenas evocadas por Ailton Krenak, especialmente na noção de “futuro ancestral”. Atravessando esses diálogos, emergem elementos não-humanos como dádiva e linhagem — como em Minha mãe me deu um rio, do poeta Manoel de Barros —, sugerindo que os vínculos entre pedra, planta, bicho e gente não são metáforas, mas práticas de existência. A proposta parte de observações e diferentes experiências ligadas às ciências ambientais para refletir sobre práticas de cuidado entre espécies e saberes. No lugar da separação moderna entre natureza e cultura, apontase para alianças e modos de vida que insistem, resistem e (re)criam mundos apesar do colapso. Tecendo ciência, poesia e cosmopolítica, o trabalho aposta na escuta do outro – a partir de textos escritos por indígenas em uma licenciatura intercultural – como gesto de recomposição possível do mundo por uma educação ambiental que escape da dicotomia e hierarquização, características comuns ao que vem sendo praticado e que não nos impediu de chegar à crise. Aprender com os  ndígenas pode ser uma forma de sobrevivermos, afinal, como bem nos afirma Krenak, esses povos resistem há mais de quinhentos anos. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 28 | Pedra, planta, bicho, gente… coisas: encontros da teoria ator-rede com as ciências ambientais