Histórias de vida e redes de conhecimento: um estudo etnográfico com o grupo Mulheres da Articulação de Agroecologia Serramar

Autores

  • Stela Lina Magalhães Bergiante Ferreira Centro Educacional Souza Poletti
  • Fátima Kzam Damaceno de Lacerda UERJ
  • Ricardo Tadeu Santori Faculdade de Formação de Professores

Resumo

Este trabalho tem como objetivo descrever, através de histórias de vida, as redes de conhecimentos construídas por quatro mulheres que atuam como agricultoras familiares de base  agroecológica, pertencente ao grupo GT Mulheres da Articulação de Agroecologia Serramar. O grupo possui como foco a inter-relação agroecologia, feminismo, soberania e segurança alimentar e nutricional, e é formado por mulheres pertencentes aos municípios de Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Rio das Ostras, Macaé, Magé e Nova Friburgo (distritos de Lumiar e São Pedro da Serra). O percurso metodológico se pautou na pesquisa qualitativa, utilizando as narrativas orais obtidas por meio de conversas realizadas entre os meses de julho a setembro de 2022. Os resultados mostraram que estas agricultoras, ao narrar suas histórias de vida, descrevem uma rede sociotécnica que envolve sementes, plantas, ferramentas, cadernetas agroecológicas, quintais, cozinhas comunitárias, geleias, compotas, conhecimentos ancestrais ligados às práticas agrícolas, e tantos outros atuantes que, em sintonia com a natureza, constroem o que podemos chamar de práticas germinantes. O grupo representa um importante espaço de acolhimento, afeto, apoio, trocas de experiência e conhecimento para as mulheres ligadas às questões ambientais e de gênero. Os relatos revelam a riqueza da metodologia das histórias de vida como parte integrante dos estudos etnográficos, bem como a importância do debate sobre a agricultura familiar e a agroecologia. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 28 | Pedra, planta, bicho, gente… coisas: encontros da teoria ator-rede com as ciências ambientais