Entrelaçamentos mais-que-humanos: o caso do Rio Botas

Autores

  • Carolina Santos da Silva UFRRJ

Resumo

O presente trabalho tem como intuito analisar o impacto das mudanças climáticas nas relações dos moradores do município de Nova Iguaçu-RJ, mais especificamente no entorno do Rio Botas, a poucos quilômetros do centro do município. O Rio Botas apresenta margens degradadas e com alto índice de poluição, possuindo casas com fundação no leito do rio, despejo de dejetos in natura e desvios em sua rota. O Rio Botas atravessa diversas cidades da Baixada Fluminense, possuindo 25 km de extensão e cerca de 20 afluentes que cortam os municípios de Nova Iguaçu, Belford Roxo e Queimados. O período de chuvas na região comumente se concentra entre os meses de novembro e abril, agrupando cerca de 75% do volume das chuvas do ano. Com as anomalias causadas pelas mudanças climáticas, eventos extremos são cada vez mais frequentes, ocasionando grandes períodos de seca seguidos por chuvas intensas que acarretam alagamentos, proliferação de doenças e convivência com outros entes mais que humanos, comumente chamados de "pragas urbanas". As enchentes em Nova Iguaçu não são apenas um fenômeno climático, mas refletem uma complexa teia de desigualdades sociais, raciais e ambientais. Assim, pode se tornar um ponto chave para discutir as camadas de exclusão que operam na distribuição espacial urbana bem como as relações mais-que-humanas que se estabelecem nessa paisagem. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 27 | Mundos das águas: emaranhamentos e agenciamentos em tempos de crise