Águas da Baía: entre casas, mangues e marés
Resumo
Guiada pelos manguezais e pelas marés do Rio Paraguaçu, Recôncavo Baiano, este trabalho explora os ritmos e os movimentos dos viventes, humanos ou não, bem como as águas da Baía do Iguape. Nessa baía, as águas, regidas pelas luas e ventos, determinam os tempos e os ritmos de diferentes seres e paisagens. Os ritmos do caminhar, pescar e mariscar de meus interlocutores da comunidade pesqueira e quilombola São Francisco do Paraguaçu (CachoeiraBA) nos conduzem aos seus espaços de trabalho e às relações que se constroem nas marés e nos manguezais, estes de agência própria, que interagem, à sua maneira, com as experiências vividas pelos demais seres ali habitam. Os múltiplos usos da água, tanto materiais quanto simbólicos, estão intimamente conectados ao engajamento das pessoas e às suas experiências sensoriais com o ambiente. Desse modo, por meio das atividades realizadas por meus interlocutores na Baía do Iguape do Rio Paraguaçu e inspirada em Olivia Cunha (2022), proponho uma reflexão sobre a importância da água, elemento essencial à vida na terra, embora esta, a terra, seja frequentemente centralizada em debates sobre mudanças climáticas. Esta discussão visa redirecionar nossas perspectivas humanocentradas e terrestres para as vidas intra-humanas e demais seres das águas, nos atentando às ontologias submersas como condição de possibilidade no plantationceno.