Ruralidades metropolitanas: outras formas de habitar o mundo
Resumo
Este trabalho investiga as estratégias de reprodução socioeconômica dos agricultores familiares em um assentamento rural de São Gonçalo (RJ), destacando a pluriatividade e a multifuncionalidade da agricultura como formas de adaptação às transformações do rural em contexto metropolitano. Inseridos em um espaço de encruzilhada, os agricultores mobilizam práticas que lhes permitem resistir ao avanço urbano, à desvalorização da agricultura e à precarização das condições de vida. O assentamento é interpretado como um "cruzo" — lugar de encontros, reinvenções e hibridismos entre saberes, temporalidades e práticas. Nesse território, os agricultores reconfiguram cotidianamente suas formas de habitar, resistindo à invisibilização social e às pressões da urbanização, tornando-se sujeitos ativos na formulação de alternativas de vida. O estudo propõe o reconhecimento dos territórios rurais metropolitanos como espaços dinâmicos, marcados por disputas, negociações e potência política. São territórios produzidos pelas ações de seus sujeitos, que ressignificam o uso do solo, produzem lógicas próprias de povoamento e afirmam modos inventivos de viver. O trabalho aposta na potência política e epistemológica desses territórios híbridos, concebendo-os como campos de saberes em movimento, nos quais se constroem novos modos de habitar e se abrem caminhos para imaginar outros mundos possíveis.