Fonogramas em rede: territorialidades sônicas, algoritmos e afetos na circulação digital da música
Resumo
Este trabalho propõe uma análise antropológica da circulação dos fonogramas digitais nas plataformas de streaming, observando como esses arquivos sonoros desmaterializados se tornaram agentes ativos nas disputas por visibilidade, escuta e afeto na contemporaneidade. A pesquisa parte de uma abordagem de coprodução humano-máquina para entender como algoritmos, playlists e classificações emocionais influenciam a escuta e moldam práticas culturais, afetivas e econômicas. A metodologia combina autoetnografia reflexiva — enquanto musicista e produtora — com etnografia digital em redes de escuta, análise de playlists e interações em plataformas como Spotify e Instagram. São exploradas as territorialidades sonoras e as camadas afetivas que emergem da relação entre usuários, plataformas e fonogramas, discutindo como esses objetos sonoros participam da produção de sentido, identidade e pertencimento. O trabalho dialoga com os debates sobre plataformização, soberania digital e Inteligência Artificial, propondo uma reflexão sobre como os fonogramas se tornaram vetores de coprodução entre sujeitos e sistemas técnico-algorítmicos. A pesquisa contribui para os debates da Antropologia Digital ao propor uma leitura densa e situada da escuta contemporânea, em que a técnica não apenas media, mas transforma a experiência estética e afetiva da música.