Uma poética dos desobjetos e seus encontros com as águas
Resumo
Esta proposta objetiva apresentar uma investigação que relaciona objetos que outrora tiveram sua destinação e a imagem de seu momento de descarte, sobretudo em margens e várzeas, tornando-se “desobjetos”, a partir da imaginação e da reflexão crítica de um mundo em crise. Tais desobjetos abrem um campo especulativo da imaginação crítico à visão dominante e colonial, reimaginada a partir de outros modos de questionar geoposições, disputando uma cartografia impregnada no imaginário, a partir de uma ideia de viagem: no processo de ser estrangeiro do mundo e de si, no exercício da alteridade, principalmente, a partir de atos do caminhar e parar em territórios aquosos. Tais atos nos auxiliam a pensar ainda sobre como estamos vivos, pois tratamos especificamente do que pensamos como desobjetos a partir do toque, do cheiro, da textura, e, por vezes do sabor, no contexto do Antropoceno. São coisas que outrora tiveram seu destino demarcado, mas que, no ato da descoberta, tornaram-se indestinados, abertos e passíveis de serem reconfigurados como crítica à utilidade e à dominação. Quando coletados em locais marginais – seja por um catador ou por uma pessoa por ele interessada –, passam a tomar outra posição, a do reuso e do retorno a outra objetificação. O que nos interessa particularmente é esse momento especulativo do instante da sua descoberta a partir de um estudo da política das imagens, investigando como as águas podem nos ajudar a desvelar camadas ainda não imaginadas.