Reflexões sobre as relações homem-animal na organização e vida social brasileira

  • Carlos José Saldanha Machado Fundação Oswaldo Cruz

Resumo

Ao longo dos últimos trinta anos, ao se consumir cotidianamente os mais variados produtos dos meios de comunicação de massa, constata-se que o tema das relações homem-animal passou a ocupar uma posição de relevo na organização e vida social contemporânea. Trata-se de relações que veem de tempos imemoriais, mas que se constituiram em um fenômeno transnacional no tempo presente, assumindo configurações locais no mundo modernoindustrial e em sociedades de pequena escalanão industriais. São reportagens, artigos, notas, informes, cadernos, programas, editorias e documentários especiais sobre o tema que circulam, quase que semanalmente, através de jornais, revistas, canais de rádio e televisão, e pela Internet, concorrendo para alimentar o senso comum de parcelas expressivas da heterogênea e mestiça população brasileira. Graças às novas tecnologias de informação e comunicação, os registros sonoros, impressos e digitais dessa produção da mídia apontam para uma multiplicidade de situações, contextos, ações e experiências de natureza cultural (arte, poesia, literatura, expressões idiomáticas, hábitos alimentares), religiosa (cultos, orações e oferendas), política (formulação dos conceitos de liberdade e de direito animal, lobbying, passeatas, petições públicas) e econômica (turismo, produção de proteína animal, medicamentos e serviços para animais) que configuram as relações homem-animal. Trata-se aqui de refletir sobre essas relações na sociedade brasileira através do estudo de três casos: o do sacrifício religioso de animais inerente à prática litúrgica do Candomblé; o do turismo em áreas de preservação com a interação entre homem e boto em Unidades de Conservação na Amazônia; o do conflito presente em algumas Unidades de Conservação na Amazônia entre felinos silvestres e populações ribeirinhas com seus animais de criação doméstica.

Publicado
2014-08-25