Instabilidades etnográficas

os distanciamentos e seus impactos à pesquisa antropológica

Autores

  • Marcos Vinícius Sales

Resumo

Este trabalho reflete sobre algumas implicações e desafios para pesquisas de campo realizadas remotamente, sem a presença física do pesquisador no campo de seu interesse. O distanciamento social imposto pela pandemia de Covid-19 é entendido no plural, ou seja, enquanto distanciamentos, na medida em que não somente a circulação de pessoas sofreu alterações com o novo contexto, mas também outras nuances da vida e suas respectivas possibilidades de agir e interagir foram modificadas. Este cenário trouxe impactos significativos para etnografias e pesquisas de campo, principalmente no modo como estabelecemos relações de parceria com os interlocutores. Nas relações mediadas pelas TICs (tecnologias da informação e comunicação) em conexões, muitas vezes, instáveis e inacessíveis, é difícil a apreensão de fluxos e afetos fabricados e envolvidos nos temas de pesquisa investigados online. Nesse sentido, é necessário pensar como os distanciamentos variados estão produzindo instabilidades etnográficas e como os pesquisadores têm lidado com esta realidade. As experiências usadas como referência foram vivenciadas numa pesquisa de mestrado realizada no decorrer da pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2021. A Etnografia e a pesquisa de campo são metodologias muito usadas nas Ciências Sociais e em outras áreas. O novo contexto social é uma oportunidade para aprender novos usos para ferramentas de pesquisa, que precisam acompanhar o momento presente. Estão sendo produzidas diversas reflexões sobre os modos de fazer e viver etnografias. Posto isso, queremos continuar os dialogando acerca de um momento que está redefinindo as maneiras de fazer pesquisa.

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Publicado

2022-04-28

Edição

Seção

ST19 Modos de ocupar a etnografia em tempos de pandemia: cibercultura e redes sociotécnicas