Fazer-com a Ayahuasca: etnografia do feitio do Daime e a agência vegetal na (re)criação de mundo(s)

Autores

  • Ana Carolina de Andrade Evangelista UFES

Resumo

Fundamentada em uma abordagem etnográfica, esta pesquisa explora a experiência do feitio do Daime (Jagube e Chacrona) na região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Esse fazer-com, entrelaçado ao fazer etnográfico por afetos e subjetividades, constitui uma lente para imergir nas cosmologias do ritual do Santo Daime. O estudo busca evidenciar como a agência e a senciência da Ayahuasca transcendem a categoria de substância psicodélica, conectando outras epistemes e possibilidades de (re)conexão com a Mãe Terra e, assim, de engendrar novos mundos. Ao emergir em arranjos cosmopolíticos que envolvem inter-relações multiespécies, lança luz ao vegetalismo. Essa perspectiva, ao conceber as plantas como seres ativos e co-criadores de realidades, desafia e redefine as fronteiras entre natureza e cultura, e entre humanos e não-humanos. Essa abordagem expande as teias de interações e interdependências, evidenciando as assembleias com humanos e vegetais, e imbrica a ontologia relacional no devir-com do feitio. Alinhando-se às discussões sobre anti-futurismos e alianças vegetais, este estudo investiga a agência, o conhecimento e o protagonismo das plantas-mestras na (re)criação de mundo(s) e futuro(s). Portanto, ao explorar a capacidade dessa entidade vegetal em (re)criar alianças interespecíficas e conceber mundos, o trabalho propõe o fazer-junto como uma abordagem para imaginar, compor e construir futuros decoloniais.

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 02 | Anti-futurismos e Alianças Vegetais: Mundos em Disputa e Práticas de Regeneração