Florestania e Futuro Ancestral: geopolítica contracolonial em tempos de catástrofes
Resumo
Em um cenário marcado por múltiplas catástrofes (climáticas, políticas e ontológicas), este trabalho propõe refletir sobre a florestania como expressão de uma política contracolonial. Inspirada por práticas como as de Chico Mendes e por movimentos contemporâneos de comunidades tradicionais, a florestania articula territórios e saberes entre campo, floresta e cidade, promovendo alianças insurgentes contra a devastação promovida pelo “povo da mercadoria”. A crise climática, entendida aqui como herança e continuidade da colonialidade, evidencia a necessidade de uma geopolítica da diferença enraizada no Sul Global, mas também de uma virada contracolonial mais radical e relacional. A noção de metacidadania ecológica e o conceito de futuro ancestral, presente nas cosmologias de Krenak e Kopenawa, ampliam o horizonte político da resistência territorial e epistêmica. A arte indígena contemporânea — como nos trabalhos de Daiara Tukano — é aqui considerada não apenas como expressão estética, mas como cosmopolítica da florestania. Ao propor a indigenização e aquilombamento
das cidades, busca-se ativar práticas territoriais que reencantem o mundo e multiplicam refúgios. Esta reflexão busca contribuir com o debate sobre como viver e resistir no tempo das catástrofes por meio de alianças entre humanos e mais-que-humanos (para além de Natureza e Cultura), ancestralidade e futuro, floresta e cidade.